Depois de cinco jornadas em que perderam três - Ferroviário de Maputo e Ferroviário de Nampula (2-0) e Liga Muçulmana (2-1) - e empataram outros dois - FC Lichinga (0-0) e Ferroviário de Pemba (1-1) -, a equipa trocou de treinador e, com Chiquinho Conde no comando da equipa, os alvi-negros vão ao terreno do Chingale de Tete à caça da sua inédita primeira vitória na prova.
Em entrevista publicada na última segunda-feira ao Semanário Desportivo “Desafio”, Chiquinho Conde referia a necessidade de fazer um trabalho específico com os avançados e os jogadores que aparecem com alguma frequência no ataque, de forma a que a sua nova equipa possa chegar aos golos e, dai, ter mais hipóteses de vencer os jogos.
Na entrevista concedida ao Semanário Desportivo “Desafio” e em que publicamos as partes mais significativas, Chiquinho Conde abordou, também, a sua primeira passagem pelo futebol moçambicano como treinador, depois que em 2006 foi afastado do Maxaquene, clube com o qual havia chegado a acordo em 2005.
- O que é que o Chiquinho Conde já está a fazer no Desportivo de Maputo para poder ter resultados, até porque essa é a razão objectiva da sua contratação?
As pessoas do Desportivo estão consciencializadas de que as coisas começaram mal. O clube pela grandeza que tem está numa posição periclitante. Acontece porém que eu estou num estudo. Conheço alguns jogadores. Hoje (ontem, domingo), é a primeira vez que tenho um contacto no campo com esses mesmos jogadores. Não é de um dia para o outro que eu vou ter um conhecimento desses mesmos jogadores e que eles vão aperceber a minha ideia do jogo. Eu vou juntamente com o Antero Cambaco, que já lidera esta equipa desde o início, ajudar naquilo que de facto for importante. Serei apenas mais um. Não trago nenhuma varinha mágica para mudar a realidade do Desportivo de um dia para o outro. Eu acho que é uma questão psicológica e as coisas podem mudar. Quando se muda de treinador os jogadores têm uma outra reacção. O Desportivo ganhou há pouco tempo o Torneio de Abertura e os seus jogadores não podem terem desaprendido de jogar num curto espaço de tempo. O que terá acontecido é ver seus níveis de confiança a baixarem e que espero que, com a chegada de um novo treinador e uma cara nova, isso funcione.
- O que vai fazer de forma a que a partir do jogo da sexta jornada diante do Chingale de Tete a sua nova equipa possa começar a ganhar?
Eu acho que não vou e nem posso mudar muita coisa. Estou a trabalhar com o Cambaco que é a pessoa que tem conhecimento melhor dos atletas. Mas o que acho é que com a mudança de treinador possa surgir um novo alento dos atletas. Uma questão psicológica. Vou-lhes incentivar um bocado mais e, dai, pode ser que as coisas melhores. Mas, na realidade, mudar toda uma filosofia de jogo de um dia para o outro torna-se difícil. Seja como for, vou trabalhar conjuntamente com o Cambaco de forma a ver onde é que podemos mudar porque eu tenho uma maneira diferente de trabalhar, mas que os jogadores podem rapidamente perceber, ainda que saiba que tenho imediatamente um jogo no próximo sábado. É por isso que não posso lhes transmitir uma ideia complicada do que é o futebol. Vou tentar simplificar aquilo que são os meus métodos e aquilo que quero conversando individualmente com os jogadores, mas não mudando bastante o que já se vinha fazendo. Penso que o Desportivo, pelas crónicas que vinha acompanhando em Portugal quer pelas crónicas na internet assim como pelo site do clube, é uma equipa que tem estado a jogar bem, ainda que não conseguindo ganhar jogos. Isso é desagradável pela sua grandeza do próprio Desportivo. A equipa tem feito poucos golos e, por isso, vamos inserir um trabalho técnico nos avançados e nos jogadores que aparecem mais na zona de finalização para ver se nós conseguimos marcar golos porque, só assim teremos sempre mais possibilidades de ganhar.
- O que significa um contracto de 19 meses?- Penso que não tinha lógica vir agora e fazer um contrato correspondesse apenas aos seis meses que ainda há por cumprir nesta temporada quando, na verdade, há outro ano ai a vir. Aliás, foram os próprios dirigentes do Desportivo que me propuseram um contrato de dois anos, mas como vim a meio do ano, acabou ficando dos seis meses desta temporada e mais a próxima época. Mas também acho que não era coerente fazer um contrato de seis meses. Eu acho que este e em pouco tempo vou conhecer todos os jogadores e, obviamente, vamos lutar juntos nesta temporada e, se Deus quiser, na próxima também. No entanto, o que quero, de verdade, é ajudar o Desportivo a conseguir aquilo que são os seus objectivos. É por isso que esta época, pela renovação que o Desportivo fez é preciso que as entendam que uma equipa que perde cinco titulares - Dominguez, Carlitos, Maurício, Josimar e Marcelino -, continua a ter o seu núcleo duro. No entanto, introduziu jogadores novos que ainda têm que perceber qual é o historial do clube, o quanto pesa a sua camisola, a pressão da massa associativa e tudo o que, em maus momentos como este, condiciona a sua prestação.
- O que vai diferir o Chiquinho Conde que trabalhou no Maxaquene e este que está no Desportivo relativamente a relação com todos os elementos que trabalham no futebol nacional?
Quando estive no Maxaquene aprendi muita coisa, particularmente o que não conhecia do futebol, quer a nível dos dirigentes assim como da Comunicação Social e de todos intervenientes do futebol. Foram anos de reflexão e deu para perceber o que se fez mal e bem e penso que, na verdade, as pessoas terão a oportunidade de ver e avaliar o comportamento de Chiquinho Conde no Desportivo e compara-lo com o que apresentou no Maxaquene. Uma coisa vocês podem ter a certeza: serei absolutamente o mesmo. No entanto, serei uma pessoa um pouco mais comedida, uma pessoa mais serena daquilo que são as minhas responsabilidades, o que me vai tempo para me concentrar única e exclusivamente no meu trabalho e na equipa que dirijo.